Guatemala com ida ao Belize - 1.ª parte: Informações gerais sobre a Guatemala

Para preparar a viagem que realizei à Guatemala (com ida ao Belize) em agosto de 2025 recolhi diversas informações sobre a Guatelama, que partilho neste artigo com a intenção de ajudar quem prepara a sua própria viagem. A essas informações acrescento vivências próprias (escritas na cor azul). 

Neste artigo, pode obter informação sobre:
- Curiosidades sobre a Guatemala
- Resumo da História recente da Guatemala 
- Pratos típicos
- Comida de rua e snacks
- Sobremesas tradicionais
- Frutas exóticas da Guatemala
- Património guatemalteco inscrito como património Mundial da UNESCO
- Principais atrações turísticas da Guatemala
- Clima da Guatemala
- Transportes e deslocações
- Tomadas elétricas
- Dinheiro
- Segurança, limpeza e vivências pessoais
- Quem visita a Guatemala e motivações
- Quando visitar a Guatemala

As fotografias sem fonte são minhas.

Curiosidades sobre a Guatemala

  • Existem duas teorias sobre a origem do nome "Guatemala". Uma defende que o nome vem da palavra indígena "Quauhtemallan", que significa "lugar de muitas árvores". Outra indica que o nome derivará da palavra "Quhatezmalha" que significa "montanha que verte água". Esta montanha seria o Vulcão Água.
  • O território da Guatemala foi descoberto em 1523 por uma frota espanhola. Quando chegaram, os espanhóis encontraram o território povoado pelos maias-quichéscachiqueles e tzutuhiles. Contudo, nada mais restava do antigo esplendor da civilização maia: a tecnologia era atrasada e a atividade económica revelava estagnação cultural. Como outros grupos ameríndios, não tinham descoberto o uso da roda; além disso, por desconhecerem a metalurgia, os seus instrumentos e armas eram de pedra e madeira. A primeira grande expedição, de Pedro de Alvarado, em 1523, entrou pelo território maia, onde encontrou forte resistência, razão pela qual a conquista não pôde completar-se até 1544.
    Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_da_Guatemala

  • bandeira da Guatemala é composta por duas cores: azul-celeste e branco. A faixa branca entre as duas faixas azuis celeste representa a localização da Guatemala entre dois oceanos, o Oceano Pacífico e o Oceano Atlântico. A cor branca significa também paz e pureza. Ao centro da bandeira está o brasão de armas da Guatemala, composto pelo quetzal resplandecente, a ave nacional do país, que simboliza a liberdade; um pergaminho com a data da independência da Espanha - 15 de setembro de 1821; duas espingardas cruzadas, indicadoras da disposição da Guatemala de se defender pela força se necessário; uma coroa de loureiro, símbolo de vitória; e duas espadas cruzadas, que representam honra.
  • A Guatemala foi o coração de grande parte da civilização Maia e ainda hoje abriga impressionantes sítios arqueológicos como Tikal, Quiriguá e Iximché. O povo maia já tinha, no século III a.C., um sistema de escrita organizado e complexo, o primeiro de toda a região da Mesoamérica. Tinha também vasto conhecimento de matemática, astronomia e de arquitetura. A título de exemplo, o calendário maia é um dos mais complexos e precisos produzidos pelo ser humano. Em comparação com o gregoriano, que utilizamos hoje, é bastante mais preciso já que este último apresenta um desfasamento anual de seis horas entre a contagem dos dias e o movimento da Terra em torno do Sol, exigindo assim um dia a mais a cada quatro anos para correções (daí os anos bissextos), facto que não se verifica no calendário maia.
  • Popol Vuh, o livro sagrado dos Maias quiché, é uma das obras mais importantes da literatura pré-colombiana e conta a história da criação do mundo e da humanidade segundo a cosmovisão maia. Acredita-se que o manuscrito original do Popol Vuh tenha sido escrito entre 1554 e 1558, em alfabeto latino, no idioma quiché. No entanto, esse manuscrito continua perdido até hoje. O documento foi traduzido para o castelhano, em 1701, e encontra-se atualmente em Chicago, na Biblioteca Newberry. 
  • A Guatemala possui uma grande diversidade étnica, com uma população indígena significativa que preserva as suas línguas originais, tradições e trajes coloridos. Existem mais de 20 grupos étnicos maias reconhecidos. Sobretudo na região sul do país (Antígua, aldeias em redor do lago Atitlán, Chichicastenango, Xela), é muito comum ver as mulheres (e alguns homens) vestidas com os trajes tradicionais, sendo possível distinguir as várias etnias pela roupa ou adereços no cabelo. 
  • Além do espanhol (língua oficial), são faladas 22 línguas maias, o xinca e o garífuna. 
  • Quetzal é a ave nacional da Guatemala e também dá nome à moeda. Esta ave era considerada sagrada pelos antigos maias que usavam as suas penas coloridas como forma de tributo ou adorno de prestígio.
Quetzal. Fonte: https://www.beyondtheordinary.co.uk/features/quetzal-guatemala/

  • A região de Petén, no norte da Guatemala, abriga extensas florestas tropicais.
  • A Guatemala situa-se na junção de três placas tectónicas: a Placa do Caribe, a Placa de Cocos e a Placa da América do Norte, fazendo parte do Anel de Fogo do Pacífico. Este contexto tectónico é a principal causa da intensa atividade sísmica e vulcânica do país.
  • O país tem 37 vulcões ativos, alguns deles em erupção. Os vulcões ativos mais imponentes são Fuego, Pacaya e Santiaguito. O vulcão Fuego é um dos mais ativos do mundo, com pequenas erupções diárias. Já o vulcão Tajumulco é o ponto mais alto da América Central, com 4 220 metros de altitude.
  • A Guatemala foi uma importante fonte de obsidiana (vidro vulcânico) para a civilização Maia, que a utilizava para fabricar ferramentas e armas.
  • Cerca de 90% do território da Guatemala apresenta elevado risco sísmico.
  • Os dois últimos sismos de grande intensidade ocorreram em 1976 e 2012. O sismo de 1976 causou 23 mil mortos, feriu 76 mil pessoas e deixou milhares desabrigados.

Resumo da História recente da Guatemala

A Guatemala esteve em guerra civil entre 1960 e 1996. Neste período, o governo guatemalteco manteve um conflito armado com vários grupos de guerrilha, maioritariamente de esquerda, que se lhe opunham.
Estima-se que tenham perdido a vida neste conflito entre 140 000 e 200 000 pessoas; outras 50 000 foram consideradas desaparecidas.

Considera-se que a origem da guerra civil na Guatemala remonta a 1954, quando o presidente eleito foi derrubado por meio de um golpe de Estado promovido pela CIA, que tentava desestabilizar a Guatemala. O presidente (Arbenz) tentara realizar uma reforma agrária, entrando em choque com o monopólio exercido pelas empresas norte-americanas sobre as terras agrícolas da Guatemala. O presidente deposto foi substituído pelo coronel Carlos Castillo Armas, ligado a grupos anticomunistas e a esquadrões da morte. Castillo foi assassinado em 1957 e sucedido pelo general Miguel Ydígoras Fuentes em 1958.

Em 1960, um grupo de jovens oficiais militares montou uma revolta, que no entanto fracassou. Na sequência, vários deles passaram à clandestinidade e estabeleceram estreitos laços com o governo de Cuba. Este grupo converteu-se no núcleo das forças que organizaram a insurreição armada contra o governo, que perdurou nos 36 anos seguintes.

Apenas em 1990 se iniciou um processo de negociação entre o governo e a guerrilha, culminando em dezembro de 1996 com a assinatura de um acordo de cessar-fogo permanente. 
O governo guatemalteco comprometeu-se a realizar reformas estruturais, em troca da paz, e a guerrilha, comprometeu-se a abandonar a luta armada.

Atualmente, apesar de ser formalmente uma democracia, a Guatemala enfrenta desafios significativos, como corrupção generalizada, interferência no sistema judicial e pressões contra jornalistas e defensores de direitos humanos. Ou seja, não é uma ditadura, mas é uma democracia fragilizada e em risco de retrocessos autoritários.


Pratos típicos

  • Pepián – Considerado um dos pratos nacionais da Guatemala, o Pepián é um guisado rico e saboroso feito com carne (frango, vaca ou porco), vegetais (como abóbora, batata, cenoura, ervilha), tomate verde e uma variedade de especiarias, incluindo sementes de sésamo, abóbora e pimenta. Existem variações regionais, mas geralmente é servido com arroz e tortilhas de milho.

  • Kak'ik – Uma sopa tradicional maia da região de Cobán à base de peru (originalmente), vegetais (repolho, cenoura e alho francês), coentros e especiarias que lhe conferem um sabor defumado e levemente picante. É geralmente servida com arroz branco, tamalitos de milho branco e um molho de pimenta cobanero (típica de Cobán).

  • Jocón – Um guisado de frango num molho verde feito com tomate verde (miltomate), coentro, salsa, cebola e alho. É um prato leve e refrescante, geralmente servido com arroz branco e tortilhas de milho.

  • Hilachas – Carne desfiada (geralmente vaca) cozida em molho de tomate, cebola e pimentões e especiarias. O nome "hilachas" significa "fiapos" em espanhol, referindo-se à textura da carne. É frequentemente servido com arroz branco e salada de repolho.

  • Revolcado de Cerdo  Um guisado espesso feito com carne de porco, pele de porco e uma variedade de vegetais e especiarias. Tem uma textura rica e um sabor intenso.

  • Subanik  Uma sopa cerimonial maia rica e complexa, tradicional da região central da Guatemala. Contém uma variedade de carnes (frango, vaca, porco), vegetais e especiarias, cozida lentamente para combinar os sabores.

  • Fiambre – Uma salada fria gigante feita com carnes, queijos, vegetais em conserva e ovos cozidos, preparada especialmente para o Dia de Finados.

Em cima: Pepian de pollo; Kak`ik. Ao centro: Jocón; Hilachas; Revolcado de cerdo. Em baixo: Subanik; Fiambre. Todas as fotos foram retiradas da Internet.

 Comida de Rua e Snacks

  • Tamales – Enrolados de massa de milho recheada com carne, vegetais ou feijão, envolvida em folhas de bananeira e cozida no vapor. Existem várias versões, incluindo os tamales colorados (com molho de tomate) e os tamales negros (com chocolate e passas).

  • Tamalitos ou Chuchitos  Versões menores dos tamales, geralmente feitos apenas com massa de milho e servidos como acompanhamento.

  • Pupusas – Embora de origem salvadorenha, são populares na Guatemala. São tortilhas de milho recheadas com queijo, feijão ou carne.

  • Tostadas – Tortilhas de milho assadas ou fritas até ficarem crocantes, cobertas com molho de tomate, guacamole, feijão ou repolho picado.

  • Garnachas  Pequenas tortilhas de milho fritas cobertas com carne moída temperada, repolho picado, queijo e um molho de tomate suave. São um petisco popular.

Em cima: Tamales; Tamalitos. Em baixo: Pupusas; Tostadas; Garnachas. Todas as fotos foram retiradas da Internet

Sobremesas tradicionais

  • Rellenitos de plátano – são bolinhos fritos, feitos com puré de banana-da-terra, recheados com uma mistura doce de feijão preto e chocolate, polvilhados com açúcar e canela. São uma sobremesa popular e reconfortante.

  • Mole de Plátano – Bananas-da-terra cozidas num molho espesso de chocolate, canela e especiarias.

  • Dulce de Ayote – Uma sobremesa de abóbora (ayote) cozida lentamente em calda de açúcar, canela e cravo.

  • Camote En Dulce – Batata-doce caramelizada em melado com canela e cravo.

  • Buñuelos – Pequenos bolinhos fritos, crocantes por fora e macios por dentro, servidos com uma calda doce feita de mel, açúcar e especiarias como canela e anis. Podem ter diferentes formatos, como argolas ou bolinhas.

  • Torrejas – Parecidas com rabanadas, são fatias de pão embebidas em uma mistura de ovos, fritas e servidas com calda de açúcar e especiarias.

Em cima: Rellenitos de plátano; Mole de plátano; Dulce de ayote. Em baixo: Camote en dulce; Buñuelos anis; Torrejas. Todas as fotos foram retiradas da Internet. 

Frutas Exóticas da Guatemala

  • Mamey – De polpa laranja e sabor adocicado, lembra um cruzamento entre abóbora e batata-doce.

  • Nance – Pequena fruta amarela, tem um sabor forte e é usada em bebidas e sobremesas.

  • Jocote – Pequena e avermelhada, pode ser consumida verde (mais ácida) ou madura (mais doce) e muitas vezes é consumida com sal (e outros condimentos). Existem variedades vermelhas e amarelas.

  • Granadilla – Uma variedade de maracujá com casca dura e polpa doce e gelatinosa.

  • Zapote  Uma família de frutas com diferentes variedades, como o Zapote Negro (com polpa escura e cremosa), o Zapote Blanco (com sabor suave) e o Zapote Mamey (com polpa alaranjada e sabor complexo).

  • Chico Zapote (Sapodilla)  Pequena fruta doce com sabor que lembra açúcar mascavo e textura granulosa.

  • Guanábana (Soursop) – Fruta grande com polpa branca fibrosa e sabor agridoce, utilizada em sumos e sorvetes.

  • Paterna (Cushin) – Fruta em forma de vagem com uma polpa branca e doce que envolve as sementes.

  • Mamón Chino (Rambutan) – Fruta exótica com casca espinhosa e polpa doce e suculenta.

Em cima: Mamey; Nance; Jocote; Granadilla. Em baixo: Zapote; Guanábana; Paterna; Rambutan. Todas as fotos foram retiradas da Internet.

Pepián e Hilachas são pratos frequentes no menu dos restaurantes. Gostei de ambos. Doces com banana (até além dos indicados) também são frequentes. Na rua encontra-se, em muitos locais, vários tipos de garnachas que podem servir de refeição barata. Quanto às frutas, há vendedores de rua a vender jocotes, sobretudo na versão verde. Colocam vários molhos, mas, apesar disso, não consegui comer (demasiado ácido).
As tortilhas são omnipresentes! correspondem ao nosso pão e, por isso, são servidas ao pequeno-almoço e com as refeições. Há outra coisa que aparece em todos os pequenos-almoços típicos e como acompanhamento de alguns pratos: frijoles volteados, que não é mais do que uma pasta de feijão (preto ou encarnado). Por vezes, ao pequeno-almoço servem uma versão do feijão mais caldosa. 



Património guatemalteco inscrito como património mundial da UNESCO

Quando visito um país, gosto de saber que património tem inscrito na UNESCO e tento que o meu roteiro o inclua tanto quanto possível. A Guatemala tem vários locais que fazem parte do Património Mundial da UNESCO e outros que são candidatos. No mapa seguinte está indicado, a laranja, o património cultural já inscrito na UNESCO e a azul alguns dos locais candidatos, sendo o azul mais escuro correspondente aos mais prováveis a serem integrados. Além do património material, a Guatemala tem também inscrito na UNESCO património imaterial, estando assinalado no mapa a verde os locais onde é possível ter a experiência.


Património mundial da UNESCO

1- Antígua Guatemala
Antígua, capital da Capitania-Geral da Guatemala, foi fundada no início do século XVI. Construída  numa região propensa a terremotos, foi amplamente destruída por um terremoto em 1773, mas os seus principais monumentos ainda estão preservados como ruínas. A cidade foi construída num padrão de grade, inspirado no Renascimento italiano.
Esta cidade é património cultural da UNESCO desde 1979, com os critérios II, III e IV, ou seja:
II - mostrar um importante intercâmbio de valores humanos, ao longo de um período de tempo ou dentro de uma área cultural do mundo, no desenvolvimentos da arquitetura ou tecnologia, artes monumentais, planeamento urbano ou paisagismo;

III - prestar um testemunho único ou pelo menos excecional de uma tradição cultural ou de uma civilização viva ou desaparecida;

IV - ser um exemplo notável de um tipo de edifício, conjunto arquitetónico ou tecnológico ou paisagem que ilustra um estágio(s) significativo(s) da história humana.



2- Parque Nacional de Tikal
Tikal encontra-se numa área de 57 600 ha de selva tropical, sendo um dos principais locais da civilização maia, habitado do século VI a.C. ao século X d.C. O centro cerimonial abriga templos e palácios magníficos, além de praças públicas acedidas por rampas. Vestígios de habitações estão espalhados pela paisagem circundante.
Tikal foi inscrito como património misto (cultural e natural) em 1979, com os critérios I, III, IV, IX e X, ou seja:
I - por representar uma obra-prima do génio criativo humano;

III - ver atrás;

IV - ver atrás;

IX - ser exemplo excecional de processos ecológicos e biológicos significativos da evolução e do desenvolvimento de ecossistemas terrestres, costeiros, marítimos ou aquáticos e comunidades de plantas ou animais;

X - conter os mais importantes e significativos habitats naturais para a conservação in situ da diversidade biológica, incluindo aqueles que contenham espécies ameaçadas que possuem um valor universal excecional do ponto de vista da ciência ou da conservação.



3- Parque Arqueológico e Ruínas de Quirigua
Habitada desde o século II d.C., Quirigua tornou-se, durante o reinado de Cauac Sky (723-784), a capital de um estado autónomo e próspero. As ruínas de Quirigua contêm alguns monumentos notáveis ​​do século VIII e uma impressionante série de estelas e calendários esculpidos que constituem uma fonte essencial para o estudo da civilização maia.
Quirigua foi incrito na UNESCO em 1981, com os critérios I, II e IV (ver atrás).

Fonte: https://whc.unesco.org/en/list/149/gallery/


4- Parque Arqueológico Nacional Tak'alik Ab'aj
Tak'alik Ab'aj é um sítio arqueológico localizado na costa do Pacífico da Guatemala. Tem 1700 anos de história, que abrangem o período de transição da civilização olmeca para o surgimento da cultura maia primitiva. Tak'alik Ab'aj teve um papel fundamental nessa transição, em parte por ser vital para a rota comercial de longa distância que ligava o istmo de Tehuantepec, no atual México, ao atual El Salvador. Espaços e edifícios sagrados foram projetados de acordo com princípios cosmológicos e sistemas inovadores de gestão de água, cerâmica e arte lapidar podem ser encontrados. Hoje, grupos indígenas de diferentes etnias ainda consideram o sítio um lugar sagrado e visitam-no para realizar rituais.
O local entrou na lista da UNESCO em 2023 com os critério II e III (ver atrás).

Fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=138591058

A Guatemala possui atualmente 21 locais na Lista Indicativa para o Património Mundial da UNESCO. A lista inclui sítios arqueológicos, culturais e naturais que ainda não foram oficialmente reconhecidos pela UNESCO, mas que estão em processo de candidatura. Alguns dos destaques incluem:
  • Triângulo Cultural (Petén)

    Área com importantes vestígios da civilização maia, destacando-se pela arquitetura monumental e centros cerimoniais.

  • Naj Tunich (Petén)

    Sistema de cavernas com pinturas rupestres que evidenciam práticas religiosas maias.

  • Chichicastenango (Quiché)

    Cidade conhecida por seu mercado tradicional e pela Igreja de Santo Tomás, que mistura elementos católicos e maias.

  • Castelo de San Felipe de Lara (Izabal)

    Fortaleza colonial construída no século XVII para proteger a região de ataques piratas.

  • Teatro Nacional da Guatemala (Cidade da Guatemala)

    Edifício neoclássico inaugurado em 1944, símbolo da identidade cultural do país.

  • Lago Atitlán (Sololá)
    Considerado um dos lagos mais bonitos do mundo, rodeado por vulcões e vilarejos indígenas.

  • Parque Nacional Sierra del Lacandón (Petén)
    Área protegida com rica biodiversidade e vestígios arqueológicos maias.

O Património Cultural Imaterial da UNESCO refere-se a tradições vivas, práticas, expressões, conhecimentos e saberes transmitidos de geração em geração e que dão identidade. A Guatemala tem 5 destas tradições inscritas na UNESCO:
 
1- A técnica de fazer papagaios de papel (pipas em português do Br) gigantes de Santiago Sacatepéquez e Sumpango
A tradição de criar e levantar papagaios de papel em Santiago Sacatepéquez e Sumpango remonta ao final do século XIX e início do século XX. Os papagaios de papel são confecionadas ao longo de vários meses e exibidas em feiras no Dia dos Santos e no Dia dos Mortos, com o objetivo de comunicar com os ancestrais, afastar espíritos negativos e promover a renovação. A tradição é transmitida informalmente, por meio da participação no processo que resulta também na criação de espaços comunitários que fomentam o diálogo e a inclusão.


2- Semana Santa
A Semana Santa na Guatemala é um dos eventos mais importantes do país. Inclui uma série de atividades, que variam de região para região, como procissões, vigílias, marchas fúnebres, preparação de especialidades culinárias e a confeção de altares e tapetes de flores e frutas. Nesta ocasião, as fachadas de casas e edifícios são decoradas para realçar a atmosfera festiva. As práticas e tradições associadas à Semana Santa foram transmitidas às gerações mais jovens ao longo de vários séculos, através da participação nos preparativos e no próprio evento. É possível assistir às cerimónias em diversos pontos do país, como Antígua ou Santiago de Atitlán.


3- A cerimónia Nan Pa'ch
A cerimónia é um ritual de veneração ao milho celebrado em San Pedro Sacatepéquez, que visa agradecer à natureza pelas boas colheitas obtidas, por meio de um ritual que destaca a estreita conexão entre os humanos e a natureza. Também apresenta orações na língua mam. Os participantes são, em sua maioria, agricultores, homens e mulheres, fortemente ligados à comunidade e reconhecidos como líderes por ela. Nos últimos anos, a cerimónia de Pa`ch tem sofrido com a falta de interesse, já que alguns jovens a consideram ultrapassada, razão pela qual se encontra inscrita na lista de património imaterial que necessita de salvaguarda urgente.


 
4- Língua, dança e música garífuna
Os garífunas são o resultado do cruzamento entre escravos africanos e indígenas do Caribe, incorporando elementos culturais de ambos. Este povo estabeleceu-se ao longo da costa atlântica da América Central no século XVIII, após serem forçados a fugir da ilha de São Vicente (Caribe). Hoje, vivem principalmente em Honduras, Guatemala, Nicarágua e Belize, países que partilham este património da UNESCO.
Na Guatemala a cultura garífuna é particularmente visível em Livingston.


5- A tradição do teatro de dança Rabinal Achí
O teatro de dança Rabinal Achí é um drama maia do século XV, raro testemunho das tradições pré-hispânicas. Baseia-se em mitos sobre as origens dos habitantes da região de Rabinal, bem como em temas populares e políticos, e é expresso por meio de danças de máscaras, música e apresentações teatrais.
Desde a colonização no século XVI, o Rabinal Achí é dançado no dia de São Paulo, 25 de janeiro. O festival é coordenado por cofradías, irmandades locais responsáveis ​​pela gestão da comunidade. Através da dança, os vivos entram em "contato" com os mortos, os rajawales, representados por máscaras.


Principais atrações turísticas da Guatemala

1. Antigua Guatemala

Cidade colonial Património Mundial da UNESCO, famosa pelas ruas de pedra, igrejas barrocas e ruínas históricas.

2. Lago Atitlán

Um dos lagos mais bonitos do mundo, rodeado por vulcões e aldeias maias como San Juan, San Marcos e Santiago.

3. Tikal

Uma das maiores e mais impressionantes cidades maias, Património Mundial da UNESCO, com templos, pirâmides e fauna selvagem (macacos, tucanos, jaguatiricas).

4. Semuc Champey

Conjunto de piscinas naturais de cor turquesa sobre o rio Cahabón, cercadas por floresta tropical.

5. Chichicastenango

Cidade indígena famosa pelo mercado colorido e pelas cerimónias religiosas sincréticas (mistura de rituais católicos e maias).

6. Vulcão Pacaya e vulcão Acatenango

Duas das trilhas vulcânicas mais populares do país (especialmente o Acatenango, de onde se observa o vulcão ativo Fuego em erupção à noite).

7. Livingston e Rio Dulce

Região costeira caribenha com forte cultura garífuna (afro-caribenha). A viagem de barco pelo Rio Dulce é uma das experiências mais bonitas do país.

No meu roteiro (aqui) inclui todas estas atrações, embora não tivesse concretizado a ida a todas elas. Embora não seja a principal motivação da maioria dos turistas e requeira deslocação que pode complicar o roteiro, a observação da desova e de filhotes de tartarugas na costa do Pacífico (Monterrico) é uma atividade muito interessante.


Clima da Guatemala

O clima na Guatemala é predominantemente ameno, com temperaturas agradáveis durante todo o ano, o que valeu ao país o apelido de "País da Eterna Primavera". Porém, há variações de região para região, sendo mais quente e húmido nas regiões baixas, a norte (Tikal, Petén).

Ao longo do ano distinguem-se duas estações:
Estação seca - de novembro a abril. Durante esses meses, o clima é ensolarado e seco. Nas terras altas, como na região de Quetzaltenango, as temperaturas podem ser mais frescas, especialmente à noite. 
Estação chuvosa – de maio a outubro. Também chamada de “inverno”, traz chuvas fortes, especialmente no final da tarde. Apesar disso, as manhãs costumam ser ensolaradas e a paisagem fica mais verde.

Transportes e deslocações

Para a minha viagem à Guatemala, este foi o tema que mais dificuldade tive em preparar previamente e que mais incertezas me levantou. Em muitos relatos li o conselho de, por uma questão de segurança, usar preferencialmente transportes turísticos. Não foi essa a minha experiência, talvez com exceção de na Cidade da Guatemala. Usei maioritariamente transportes públicos e achei-os bastante eficientes (passam muitos e param em qualquer sítio) e seguros, sendo muitíssimo mais baratos que os turísticos. Porém, é necessário ter em atenção que as deslocações (qualquer que seja o transporte) são em geral lentas.
Falo dos transportes em concreto que usei para cada deslocação e respetivo horário e preço num artigo específico (aqui). Nesse artigo também explico o porquê da escolha de cada transporte. 



Tomadas elétricas 

Na Guatemala, as tomadas são do tipo A ou B (Em Portugal são do tipo C e F). Além disso, a voltagem é de 120 V. Em relação à voltagem, muitos dos aparelhos mais modernos podem funcionar nesta voltagem e os que não funcionam não sofrem, geralmente, estragos. Quanto ao tipo de tomada, é necessário um adaptador. Caso se esqueça, não se preocupe, já que em Antígua (normalmente a "porta de entrada" na Guatemala) há vendedores de rua que os têm.
Adaptado de: https://br.freepik.com/vetores-premium/tipos-e-padroes-para-plugues-e-tomadas-tipos-de-plugues-e-tomadas-tipos-de-tomadas-em-diferentes-paises_38070409.htm

Dinheiro

Se tem intenção de andar em transportes públicos e/ou queira comparar aos vendedores de rua é importante que tenha dinheiro em espécie. Troquei dinheiro em casas de câmbio no aeroporto (Cidade da Guatemala), em Panachajel (num balcão no hotel) e em Flores. É certo que não andei à procura, mas em Antígua não vi casas de câmbio, embora haja mesmo no centro bancos e caixas de multibanco (caixas eletrónicas, no Brasil). Em Panajachel e Xela também vi bancos. Lanquín é uma terra pequena, pode ser que haja, mas não vi nem bancos nem caixas multibanco. Apenas os hotéis de Antígua e da Cidade da Guatemala fizeram a cobrança no cartão de crédito. Nos restantes, pagámos no próprio hotel, em espécie ou com cartão. Outra coisa a ter em conta é que, quando nos deram possibilidade de pagar em dólares ou em euros, ficávamos a perder se o fizéssemos em euros. Apenas tenho cartão de crédito do meu banco, mas li relatos de que cartões como o Revolut funcionam bem.

Segurança, limpeza e outras vivências pessoais

Os dados variam conforme a fonte, no entanto, os homicídios, em 2022, rondariam os 22 por 100 mil habitantes (por comparação, em Portugal, esse valor foi de 0,72 em 2022). Esta criminalidade grave está relacionada com o narcotráfico, a corrupção e o controle de território, não tendo os turistas como alvo.  
Em todo o percurso que fiz (aqui) senti-me segura, mesmo durante a noite. É certo que quase todos os locais onde estive são turísticos. Porém, houve dois sítios (Cidade da Guatemala e Xela) onde, não tendo ocorrido nenhum incidente, foram percetíveis sinais da existência de criminalidade. 
Na cidade da Guatemala, o nosso hotel ficava na zona 13 (perto do aeroporto), num bairro murado e com entradas e saídas controladas. Todas as pessoas são identificadas. Ainda na Cidade da Guatemala, na zona onde ficámos, andar a pé nem sempre foi fácil, uma vez que a inexistência de passeios tornou a circulação perigosa em alguns locais. Em algumas estações de transporte público, o enorme número de pessoas, em pouco espaço, fez-nos sentir menos seguras. 
Em Xela, a situação foi menos concreta e ocorreu apenas num local específico, próximo do terminal de autocarros. Não posso apontar nada de objetivo, mas a sensação foi a de que não era um local muito seguro. Apesar do que digo, na minha opinião, a segurança na Guatemala não é, de todo, um fator limitante. 

Em relação à limpeza, as cidades são, em geral, limpas, mas ao sair da malha urbana encontra-se muito lixo.

Sobretudo na parte sul do país, a grande maioria da população tem traços fisionómicos dos maias; contudo, nos anúncios publicitários e na televisão, em geral, quase ninguém que aparece apresenta esses traços. Achei estranho.
Outra coisa interessante é a quantidade de igrejas evangélicas no país, de diferentes denominações. Em algumas aldeias são porta sim, porta não (literalmente). 
Estranhará o preço do combustível: Q 27 - 30. Atenção que a unidade de medida é o galão e daí o preço.

Quem visita a Guatemala e motivações

Perfil dos visitantes
  • Origem: EUA, México, Europa (Espanha, Alemanha, França), Canadá.

  • Idade média: 25-45 anos (muitos viajantes independentes e aventureiros).

  • Tempo médio de estadia: 7–14 dias.

  • Forma de viagem: combina tours culturais com natureza e experiências comunitárias.


A maioria dos visitantes vai à Guatemala por três grandes razões:

1- Culturais e históricas - para descobrir a herança maia e a história pré-colombiana visitando ruínas maias como Tikal, arquitetura colonial como Antígua, ou mercados indígenas como em Chichicastenango.

2- Turismo de natureza e aventura - fazendo trilhas, sobretudo ao vulcão Acatenango, vendo a paisagem do lago Atitlan ou a de Semuc Champey ou experienciando a enorme diversidade de flora e de fauna na floresta tropical, por exemplo em Tikal ou no Rio Dulce.

3- Turismo cultural/étnico - numa perspetiva mais espiritual e de bem-estar, por exemplo fazendo retiros de yoga ou meditação em algumas aldeias junto ao lago Atitlan.

Quando visitar a Guatemala

A melhor época para visitar a Guatemala vai depender do que pretende fazer. A estação seca, de novembro a abril, é normalmente a recomendada, sobretudo se tiver a intenção de fazer trilhas em vulcões. Se tem intenção de ver a desova das tartarugas, na costa do Pacífico, saiba que a desova ocorre de maio a outubro, sendo o pico nos meses de julho e agosto. A observação dos filhotes ocorre entre julho e novembro, dependendo da espécie.
 
Visitei a Guatemala em agosto, estação chuvosa. Nos 21 dias em que estive no país, choveu quase todos os dias, sempre à tarde (a partir das 15h - 16h, na maioria das vezes) ou à noite. Com alguma organização, isso não impede as visitas aos principais locais, embora as trilhas nos vulcões possam tornar-se mais desagradáveis.
Se viajar nesta altura do ano, conte com essa rotina e planeie as atividades sobretudo para as manhãs, tanto mais que anoitece cedo (por volta das 18 h).
No período em que estive no país, as temperaturas foram agradáveis (para manga curta), embora as noites (exceto nas Flores) exigissem um casaco.
Se puder ir em qualquer época do ano, sugiro que pondere ir na altura do dia dos mortos (2 de novembro) ou durante a semana da Páscoa, já que as festividades são manifestações com bastante interesse.

Fontes: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/11/02/dia-de-finados-pelo-mundo-fotos.ghtml e https://www.viaventure.com/six-tips-to-spending-easter-in-antigua/

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